1 de abril de 2012

Mentira

Quis escrever sobre ti, Mentira, nesse abril que se levanta. Tão infausta fui que sobre ti nada soube explicar.  Não porque seja eu assim tão pura que nunca te roubei um verso. Mas, quem penso eu ser para te dizer? Grandioso substantivo abstrato que de concreto já tem tanto, pois de nada depende para existir.

A mentira, claro, é substantivo feminino. Assim como a verdade, mocinha do folhetim. Má a mentira, boa a verdadeira. E quem disse? Disse o verbo, sem razão, porque ele é a ação, mas quem o é, é sempre o substantivo.

Se no plural, escândalo. Uma vida de falsas crenças. Se derivada, amálgama. Quimicamente mentirosa por natureza, derivando todos os males da terra.

Mas o polido, o correto e o astuto usam-na para encobrir seus medos. E pelo limiar de abril dão a ela um dia de protagonista, para se redimir.

A substantiva mentira que a história se encarregou de cravar o sinônimo da imoralidade. A mentira, pobre bruxa, sofre a dor de empurrar para o futuro o que o presente tão covardemente não suporta conjugar.