1 de julho de 2012

"O Enigma de Kaspar Hauser”: aspectos pertinentes do filme para a articulação entre signo e cultura ou vida social.


Os códigos comuns entre indivíduos de uma determinada sociedade são elementos de sua cultura, estabelecidos a partir de uma construção coletiva que possa socializá-los. Eles funcionam como signos e os seus significados só podem ser apreendidos a partir da vida social. Segundo Camargo (2009, p. 187), esse sistema de representações “se dá quando um grupo de usuários de uma dada linguagem convenciona que este ou aquele signo irá representar – dentro de certa circunstância – um objeto”. Neste caso, também podemos dizer que comportamentos podem ser “signos” que representam ideias convencionadas em determinada sociedade.

Em “O Enigma de Kasper Hauser” pode-se perceber que os significados que dão sentido aos signos são apreendidos em vida coletiva, social. E só através dela que eles podem ser transferidos de um indivíduo para o outro. Ao passo que viveu sua vida em total isolamento, Kasper Hauser não adquiriu elementos suficientes para reproduzir ações e ideias de um determinado grupo. Entre outros elementos da cultura, é possível destacar o papel da língua, que não somente estabelece a comunicação entre os membros de uma mesma sociedade, mas é o que permite a relação e a troca entre os seres de um grupo.


O crescimento lento, constante, quase glacial da cultura através da Era Glacial alterou o equilíbrio das presas seletivas para o Homo em evolução, de forma tal a desempenhar o principal papel orientador em sua evolução. O aperfeiçoamento das ferramentas, a adoção da caça organizada e as práticas de reunião, o início da verdadeira organização familiar, a descoberta do fogo e, o mais importante, embora seja ainda muito difícil identificá-la em detalhe, o apoio cada vez maior sobre os sistemas de símbolos significantes (linguagem, arte, mito, ritual) para a orientação, a comunicação e o autocontrole, tudo isso criou para o homem um novo ambiente ao qual ele foi obrigado a adaptar-se. (GEERTZ, 2008, p. 38-39)

No filme, podemos relacionar que não basta apenas o contato com o grupo para o indivíduo assimilar os aspectos culturais. Kasper não compreende determinados códigos da vida social, arraigados na sociedade onde – repentinamente – se vê inserido. Com o passar do tempo, o personagem se adapta a vida social, mas ainda é bastante difícil assimilar elementos dessa “cultura” que não lhe foi passada desde o princípio, instituindo nele tais valores sociais. 

REFERÊNCIAS

CAMARGO, Marcos H. Os sentidos e os signos. In História, Arte e Cultura. Ponta Grossa: UEPG, 2009.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.


Imagem: Críticas de Filmes