19 de novembro de 2012

Neutro

Penso cá com meus botões como a ideia de neutralidade toma conta do século XXI. O jornalismo propaga. As ciências humanas dizem, em alguns casos, que há. O senso comum prega: há de se estar acima do bem e do mal.

Não confunda com a dialética. Até porque ela nunca nos disse: seja neutra, garota!

Ponderar é bom. Ter opinião é melhor. Envolver-se, mais apropriado ainda. Embora seja difícil para o subjetivo não buscar a "verdade", aceite a que te pareça mais verossímil e... posicione-se. Sem medo do futuro. Ele é só uma abstração.

É triste essa pedante cara de razão dos neutros, essa apatia das listas de prós e contras que, ao final, não definem nada. Neutro não tem cheiro, cor nem gosto. Neutro é oportunista, diz para esse e para aquele o que ambos querem ouvir. Neutro é burro, neutro nega a sua própria capacidade de querer, de compreender, de constituir, de alterar.

Mas não tente enganar, há sempre ouvidos atentos. Não serve ter posição num macrouniverso se não tiver no micro. E a recíproca é verdadeira. Neutro é a qualidade dos que não são. Seja deste ou daquele lado da margem.