8 de dezembro de 2014

Sentido

As palavras estavam ali, livres, bastava conseguir pronunciá-las. Com o tempo, foi preciso escrevê-las, treiná-las, deixá-las redondas. Escritas para não serem lidas, carregavam segredos incontáveis, diários do imponderável. Outras tantas, aleatoriamente lidas, contavam segredos contestáveis, diários do mundo.

Palavras desencantadas nunca deixam de viver. Nem as palavras no letreiro, marcando o ponto do encontro, ou mesmo as palavras na bula, descrevendo os efeitos colaterais. Nas doutrinas, as palavras libertam e, num instante, saem por aí, a libertar sem torniquetes. As palavras dizem o que querem dizer.