17 de janeiro de 2015

A mulher na esquina

Sim, eu vi aquela mulher virando a esquina. Olhou pra mim com profundidade invasiva, olhou pra mim me levando dali. A mulher virou a esquina e eu pude ver a pressa com que correu pra nunca mais chegar. Saiu, a desnuda, pra comprar cigarros. Já sei, tu sabes, ela não vai mais voltar.

Com ela levou papéis de carta, datas e senhas do intangível. 

A mulher enverga o dorso e dobra a esquina. E dobra, e dobra. E agora só pode colocá-la no bolso. Leva somente o que pode carregar e o que pode é bem mais do que precisa. 

A mulher dobra a esquina na curva do vento. Ela dobra a curva do tempo a seu favor.