31 de dezembro de 2015
o tempo não deixa em paz as palavras que ficam por dizer; não apaga a lição tal qual as mãos sobre a lousa riscada. o tempo empilha nas linhas invisíveis da memória os ecos das palavras passadas; não deixa rastros do feliz ano novo que se foi. o tempo incorpora as dissidências do agora e segue tentando; todos os dias uma aurora no horizonte - sol ou chuva. o tempo esmiúça e recompõe a matéria, nunca seremos nós de novo, embora pese sobre a mesma carcaça as palavras abandonadas pelo caminho. o tempo é hoje e o amanhã é projeção imperfeita: não vai deixar em paz as palavras por dizer.