Em que pese a preguiça, escrever sempre é um momento de inspiração. E sinceramente queria dedilhar no teclado mais poesia do que a realidade. Se bem que falar em realidade pode ser também falar em ilusões, e de ilusões estão cheias as poesias (cheias de repletas, cheias de exaustas).
Todo esse preâmbulo para falar de eleições. A propaganda-eleitoral-obrigatória-gratuita teve início essa semana e com ela a capacidade de criar anomalias publicitárias. Nada contra a criatividade humana, mas do ridículo ao genial, se vê um pouco de tudo. De paródia e de "vida simples".
A retórica é muito semelhante. Todo mundo teve vida difícil, todo mundo tem as melhores intenções. Todo mundo é filho de trabalhador. Na verdade, é preciso muito mais para avaliar. É preciso entender da prática política, é preciso desmistificar o discurso - bem ou mal preparado. É preciso entender a história desse país de miseráveis (miseráveis de malígnos, miseráveis de famintos).
As pérolas nos abraçam, em tom de piada, em tom de tristeza. De Louros Zezés, de Tiriricas, de Maras Maravilhas, de "Coronés"! As candidaturas proporcionais, mais que as majoritárias, fortalecem a idéia, por séculos construída no imaginário do brasileiro, que política não é assunto sério. Ou é tão sério que só pessoas "importantes" podem participar dela.
Eu claro, voto em Dilma. E voto por entender que o país avançou, apesar de ainda precisar de muito para os trabalhadores chegarem ao poder. Não voto em Serra não pela sua propaganda eleitoral, bastante apresentável, não fosse sua "tara". Mas, pelo que representa ideologicamente, e que tenta apagar. Serra não diz quem é, que foi ministro de um governo que sucateou a educação pública, que vendeu empresas estatais a preço de banana e que falou mais em inglês para brasileiro nenhum compreender.
Pouco elucidativa é a propaganda eleitoral. Ainda sim, importante. Na ânsia de não errar, é melhor conhecer pessoalmente o candidato, é melhor anotar o que eles dizem na TV. É melhor votar do que ri da desgraça alheia, que vira desgraça coletiva amanhã.