"Tela que retrata elementos da cultura açoriana "
Domingo de manhã é assim, ou acorda-se bem cedo, ou dorme-se até o meio dia. Gosto de domingos de sol, quando se acorda cedo para ir à praia. Ao chegar em casa ter aquela "enchova" assada para o almoço em família. Assim foram muitos os verões da minha vida. Domingo de sol, de bicicleta até a praia, depois peixe com salada de cebola e tomate.
A tarde, novamente a praia. Como é bom nascer à beira do mar e da lagoa. Eu tive esse privilégio. E sou muito feliz em encontrar em mim um pouco dessa brejeirice, um pouco do que a cultura de quem nasce à beira da praia promovem no ser humano.
Há alguns dias, assistia a um documentário sobre Franklin Casacaes. Nele, o que me comovia ao passo que ouvia a narração coberta de imagens peculiares, mas a mim muito familiares, não foi somente a obra ou a história de vida de Cascaes, mas o mítico, o emblemático e ou autêntico que existe na cultura popular do "homem/mulher" da "beira d'água". Da relação amistosa e criativa, e na minha humilde opinião, bem pouco determinista como pensam alguns.
O modo de falar, a capacidade criativa de criar enredos, lendas, "causos" e histórias, a habilidade artesanal, a intuição, os elementos do imáginários, traduzidos de tantas maneiras, seja na religiosidade e nas engenhosas formas de manifestá-la.
Quando vim de Laguna para Florianópolis, passei um período morando no Campeche. As condições de vida me fazem mudar constantemente de endereço, fato que se repetirá até conseguir, por fim, ter a minha própria casa. Mas, emblematicamente, mantive meu título de eleitor naquela comunidade do Sul da Ilha.
No último domingo, quando fui até lá, na sala da escola onde voto, as paredes estavam repletas de pão-por-deus, confeccionados pelas crianças. Achei tão bonito, que não só meramente se mantém elementos da cultura pela tradição, mas esses elementos se transformam, estão ali, no cotidiano, não nos impedindo de mudar, mas nos permitindo lembrar de quem somos.
Para mim, lembrar de quem sou no momento em que escolhemos quem dirá ao mundo, coletivamente, quem somos, foi bastante emblemático. Como é belo poder encontrar, por aí, pela Ilha, pela querida Laguna, esses pedaços de histórias que remontam nossas raízes e demonstram o quanto somos parte integrante da construção desse Estado, de contribuição ímpar, característica, sobrevivendo de forma alegre, criativa e genial. Tenho orgulho, tenho muito orgulho.
