É verdade que a ideia é coisa que vem e passa. Não é estanque. Materializa-se, mas evapora, como a água que esquenta. Portanto, esquentar a ideia não dá pé. É prejuízo literário. E é também prática inoperante.
As ideias que se fundem e derivam são bem-vindas, mas nada como a originalidade do pensamento. Esse produto daquele que pensa (ou nem tanto), já não é mais o mesmo quando a palavra o absorve e o verbaliza. Afinal, se tudo está em transformação, a mercê está, esse estalo, da produção ilimitada de sentidos.
Então, ideia é coisa pra já, pra ontem. E em tempos do dígito, lá se vai a caligrafia, original na forma, mas lenta na materialidade. E aí o pensamento sai correndo, voa longe, vira outro... e como era mesmo aquela frase tão simbólica que eu tinha organizado? Nem sei. Correu pra longe, para assombrar - desajuizadamente - um outro solitário pensador.