A menina boceja
como quem não quer
que o dia amanheça
Como quem não deseja
levantar-se incerta
acordando verdades com
uma caneca de café à mesa
A menina suspira
como quem percebe
que o dia já se levantou
E com ele as buzinas,
as agruras vociferadas
pela gente que passa
frenética e distraída pelas calçadas
A menina sorri
como quem sente
a brisa leve descortinando-se
a manhã já é sol
secando o orvalho
lágrima de lamento
da madrugada que já é passada
E a menina revira os olhos
como quem vê novidade
naquilo que já é a estrofe anterior
E como se fosse milagre
surpreendida com as margaridas
todas aberta e sorridentes
para vê-la passar
A menina chora
e o gosto da gota
tem sabor de esperança
E por trás do véu d'água
só há alegria
na boca e nas mãos
daquela menina