3 de abril de 2013

A menina

A menina boceja
como quem não quer
que o dia amanheça

Como quem não deseja
levantar-se incerta
acordando verdades com
uma caneca de café à mesa

A menina suspira
como quem percebe
que o dia já se levantou

E com ele as buzinas,
as agruras vociferadas
pela gente que passa
frenética e distraída pelas calçadas

A menina sorri
como quem sente
a brisa leve descortinando-se

a manhã já é sol
secando o orvalho
lágrima de lamento
da madrugada que já é passada

E a menina revira os olhos
como quem vê novidade
naquilo que já é a estrofe anterior

E como se fosse milagre
surpreendida com as margaridas
todas aberta e sorridentes
para vê-la passar

A menina chora
e o gosto da gota
tem sabor de esperança

E por trás do véu d'água
só há alegria
na boca e nas mãos
daquela menina