13 de fevereiro de 2014

Caricatura

Ode ao café
Misericórdia, é só falta de talento!

      Ode à poesia
      Valei-me, a indústria sobressaiu ao cultural!

Eu lírico assombrado pelo poder do consumo
Vota nulo e puxa carroça

       Rezo a noite pra não cruzar contigo na esquina
       Pra adormecer esse ímpeto sarcástico e intolerante

Aqui pelo meio da rua, um assobio de compostura desviando da moral
E por trás da face impávida é só impaciência que resvala

       Olho pela vidraça e tu nem me apeteces
       És a silhueta alheia fora de moda vestida com a marca da estação

O mau gosto vem de dentro
E não há grife que resolva

       Não há frase feita que dê jeito
       Nem iraniano que te absolva

Apaga esse cigarro
Te livra desses óculos de acetato

       Não baba mais em cima daquele clássico
       São tantas almas boas submersas nessa leitura mal interpretada

A banalidade é uma seita individualizada
a beijar o próprio ombro