Ode ao café
Misericórdia, é só falta de talento!
Ode à poesia
Valei-me, a indústria sobressaiu ao cultural!
Eu lírico assombrado pelo poder do consumo
Vota nulo e puxa carroça
Rezo a noite pra não cruzar contigo na esquina
Pra adormecer esse ímpeto sarcástico e intolerante
Aqui pelo meio da rua, um assobio de compostura desviando da moral
E por trás da face impávida é só impaciência que resvala
Olho pela vidraça e tu nem me apeteces
És a silhueta alheia fora de moda vestida com a marca da estação
O mau gosto vem de dentro
E não há grife que resolva
Não há frase feita que dê jeito
Nem iraniano que te absolva
Apaga esse cigarro
Te livra desses óculos de acetato
Não baba mais em cima daquele clássico
São tantas almas boas submersas nessa leitura mal interpretada
A banalidade é uma seita individualizada
a beijar o próprio ombro