Escrevo um bilhete de caligrafia trêmula que reflete, em forma e conteúdo, a histeria que me completa. Deixo-te esse recado lúcido, para te apropriares daquilo que vi e se pudesse poupar-te, o faria.
Redijo essa pequena carta para, caso a leias, saibas o que não repetir. Embora, o que experimentares fará de ti alguém bem melhor do que já és.
Mas, se puderes e se quiseres me ler, verás que és um pouco de quem fui. Saberás que te quero bem. A ti e a todas as outras que suspiram felizes sem saber que, aquilo que lhes parece bom, deve ser motivo de atenção e zelo. Para que teu próximo amanhecer não seja
Susto. Tristeza. Asco.
Para que não te tornes bolor. Para que não te sintas pedaço de dor que se desdobra em outro corpo.
Coloco esse bilhete numa garrafa e jogo-na ao mar. Espero que encontres esse pequeno presente. Que ele não seja capaz de te fazer desistir, mas que ele possa te alertar.
Para fazeres um novo começo. Para que faças do teu caminho um lugar mais florido que o meu.