Aquela mulher atrás da fresta? Sim eu a conheço.
E posso ver daqui como ela tenta esconder um dos seus olhos na mesma verticalidade em que esconde a metade de um sorrir atrevido e medroso.
Sim, sei quem é aquela mulher. Aquela que também sorri feliz e aperta os olhos. Há muito ela me espia daquela fresta carcomida. Ora, me olha sossegada. Ora, arregalada, torna tudo em volta de nós cinza da desesperança.
A mulher atrás da fresta tem a dureza e a maciez da madeira que toma muita maresia e torna seu contorno irregular. A mulher atrás da fresta é, de fato, uma bruxa. Decifra-me. Sabe das coisas do futuro e nem pode me dizer.
Aquela mulher atrás da fresta não entende de simetria, mas se pudesse olhar daqui como fica a sua cara atrás da fresta, a sorrir, iluminando de cores solares um lado da face e escurecendo como um fim de eclipse o outro... Se pudesse ver, a veria com o mesmo entusiasmo assimétrico que eu a vejo.
Porque essa mulher se põe a olhar pela fresta é que posso... Enquanto olho pra essa, essa mulher que insiste em me espiar todos os dias como se eu não pudesse vê-la... Essa mulher sorridente atrás da fresta traz consigo o que ainda não sei que preciso. Coisas que ainda não sei o nome.
O que quer então, a mulher atrás daquela fresta?
Diga-me, mulher, que queres tu de mim, quando me olhas a sorrir por trás daquela fresta? Ou mesmo quando choras, que queres tu?
Penso que me queres ter.