15 de setembro de 2014

Antes que anoiteça

Estou cheia de mim, como quem se enche de si para dizer o inaudível. Oco conforto em mim, que não esvazia o que me transborda, soletrando comedida todas as coisas que um dia, talvez, nunca te diga.

Digo-te só, com os olhos inconformados e com as mãos descoordenadas, tateando o invisível. As palavras que me enchem se ajoelham, pedem clemência e se recolhem à indiferença.

Antes que anoiteça em mim, digo-te adeus.