8 de outubro de 2014

As paredes

as frases 
se amontoam nas paredes
como se não soubessem ser ditas

escorrem
inaudíveis
descem pelos rodapés
invisíveis

esperneiam, espalhadas pelo chão
histéricas
tomam a sala, a casa
empilham-se, umas sobre as outras

enchem tudo, saem pela porta
não marcam memórias nem papéis
não dizem adeus