em mim
pequenas feridas
recortes imensos
na pele
no coração
ameaçado pelas desesperanças
resgatado pelas semelhanças
da tua cor com a minha carne
são pedaços de gente
a arder complacentes
nas lacunas da solidão
nas histerias da multidão
toda a dor do mundo é minha
das lamúrias chorosas
em primeira pessoa
dos lacrimejantes ais
dos conjuntos
choros no ônibus
na esquina engarrafada
na praia emplastrada
de garrafas pet
a dor é minha
dos meus desejos
não saciados
e das coisas todas
que todas e aquela
poderiam ter sido
a dor é minha
ampla e coletiva
de um só ninguém