12 de fevereiro de 2015

Penso que a prática militante de quem quer transformar a realidade tem que olhar para o presente e para o futuro de forma coordenada e consciente. Não posso crer (mitologicamente, até porque sou ateia) numa revolução que nunca chega, me furtando a alterar positivamente, nesse exato momento, a vida de um monte de gente. Como já disse o Science, um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar. No entanto, não pode haver mudança momentânea que justifique o esmorecimento da perspectiva histórica. Ela é propulsora da própria existência humana. Não fosse concreta a capacidade dos seres humanos de transformar, não teríamos alterado tantas vezes o curso dos acontecimentos. É também por esse motivo que é coerente acreditar que a utopia pode ser construída, pode ser amanhã. Não podemos menosprezar o poder da mudança no aqui e agora, ela carrega em si o próprio espírito transformador. Mas, não podemos nos isolar numa bolha e colocar tapa-olhos para o que ainda é sinônimo do atraso, da exploração e da submissão. O capitalismo existe. A opressão imperialista não é expressão ultrapassada. A humanidade ainda não é livre.