30 de março de 2015

O homem da esquina

Estático, na esquina, o homem permanecerá imóvel até que o tempo mude. Caso chova, caso vente, talvez, o homem parado decida correr. A esquina, o homem. A banda passa, ele olha e ele vê. Só não move os braços, só não sorri. Enraizado na esquina, é um homem raiz.

O homem parado na esquina vai ficando para trás. Cada vez menor, vai desaparecendo no horizonte. Nunca é o mesmo. O homem da esquina é um corpo apressado, fixo na calçada e na minha retina. Se o tempo mudar, talvez, ele decida correr. Enquanto isso, o homem continua parado na esquina, na curva da minha memória.