25 de janeiro de 2016

sou uma caiçara. nasci numa península com mar grosso de um lado e lagoa salobra doutro. nunca morei num lugar que não fosse cercado d'água, cortado por ela. essa minha condição (e de tantxs) tem tomado o meu pensamento e, junto com ela, penso também no ambiente em que vivemos e o que a exploração desmedida dele pode promover. diante do ruim e do pior que estamos assistindo nesta temporada (mais uma), o que resta fazer pra que a catastrófica profecia não se cumpra e ainda seja possível usufruir das cidades litorâneas - a partir dos desafios que nosso século nos impõe -, de forma digna, saudável e sem segregação?

a mim, o problema não é a praia cheia. a questão é a ocupação desordenada do território, em que o que interessa é sugar, arrancar pedaço, mastigar e regurgitar o bagaço. o que é definitivamente perturbador é a especulação e o grau de aniquilamento do meio que ela é capaz de promover. e nós, o que estamos fazendo pra não separar o ser (eu, você, nós) do seu próprio meio? sinto raiva e fico triste. será mesmo que vamos ter tempo pra mudar alguma coisa antes que seja tarde?

já sinto como o bicho acuado, depois do incêndio na floresta.