sol a pino na manhã seguinte.
2 de janeiro de 2016
uma tarde do fim de dezembro e a tempestade se aproxima da praia. em sincronia, o mar se estica na areia como a nuvem pesada se espraia no céu, de fora para dentro, até que se encontrem. na linha central, cá estamos. pés fixos na areia molhada, esperando o temporal. o silêncio, a fina camada de vento; o corpo é sal antes que o sol se vá, antes que a chuva chegue. os raios solares cada vez mais pálidos nos preparam: relâmpagos em questão de tempo. a areia chicoteando as pernas, a maresia ungindo a pele; as crianças correm, os pais têm medo. numa tarde do fim de dezembro, a tempestade encharca o litoral, a chuva agora é água de mar; estrelas no céu, lua partida ao meio.