16 de fevereiro de 2016
contraditas, as palavras desaguam a sós, humilhadas por si mesmas, abandonadas à beira da sorte. as palavras contraditas pelo silêncio do tempo, pelos dias que se contam a dúzias e mais dúzias de fios esbranquiçados e pequenas rugas no canto da boca. contraditas aos berros, as palavras se calaram dentro da própria mudez, da introspectiva e desesperada falta de ilusão. perdidas, contradizem o futuro que não virá, entre o que queriam dizer e o que de fato dizem: palavras ao vento. se pudessem gritariam das linhas do caderno, dos frames do monitor - alto e bom som - de cima do banco da praça. agora, são letras recortas no silêncio das contradições; ainda sim, nunca deixam nada por dizer.