Não devem. Porque, ao menos para mim, casar é o princípio do hábito da vulgaridade. Casamento é arbítrio do interesse. Seja do acúmulo de capital, seja da propriedade em todos os seus formatos. Se é para ter companhia, casar novamente não é boa escolha, pois o que mais se faz num casamento é deixar o outro só, apesar de se estar junto em todas as medidas.
O odor dos pés é mais forte, o desprezo a conta gotas é tão presente do que as juras públicas do respeito e do equilíbrio. Eu acredito na liberdade. E casar é desde tempos remotos estabelecer limite para a expressão do indivíduo. Concorde você ou não comigo, casar é dizer: acaba por aqui a aventura e inicia a dinastia do cotidiano. Por isso a perenidade do casamento morre justamente quando se começa a reviver experiências.
Defendo que as relações amorosas não abotoem o paletó. Acredito que elas devam ser exercidas na sua plenitude, quando o espaço físico dividido ultrapassa os portões do condomínio, a liberdade não é contabilizada em ouro e há prazer em não abafar a singularidade alheia. Só com esse respeito ao limite da sensibilidade é que os casamentos podem ser bem sucedidos.
