31 de dezembro de 2013

Para 2013 com uma flor


A cada segundo, 2013 corre mais depressa para a memória. Desmaterializa-se em medida que sedimenta abstrações sobre o que guardamos dele, em detrimento do que realmente, sob a sua malha, aconteceu. Da análise à síntese, promoveu discórdia, rompeu pré-conceitos e delineou novos horizontes. Em lugares inesperados, aproximou gente, renovou desejos, descortinou infinitas possibilidades de combinações.

Dois mil e treze é mistura de Balzac e Woody Allen. Trouxe consigo liberdade e consciência. Pragmático, ruminou dados, elocubrou sobre fatos, relacionou tempo e espaço. Foi exímio ao redescobrir cor, sabor e aparência, retomando o sentido aos sentidos.

Foi sagaz ao redesenhar as lembranças, ao recordar, à luz do agora, sem santificações ou desprezos. Passou a limpo as ideia, no mesmo compasso que redigiu linhas de expectativas. A memória de 2013 será como um carro alegórico ao fim do carnaval: beleza rasgada, alegria findada, pequeno instante que se eterniza na lembrança, enquanto brilhou apenas minutos na avenida.

Esse ano reencontrou-se com todos os outros que o precederam, para dizer a eles e aos que virão que ele é carne e desejo consciência e insanidade. 2013 projeta se para o futuro do presente sem mágoas com pretéritos e suas imperfeições. Pretensioso, sabe que é dono de um novo tempo.

Quando se dissipar, à meia noite, com tudo aquilo que foi e que desejou ser, carregará consigo todos os sonhos do mundo e, com eles, todas as incertezas. E será um novo ano, de fantasia, de poesia e de todas as esperanças, até que o futuro, de novo, seja hoje e a gente o guarde na melhor de nossas recordações.