26 de dezembro de 2013

Retina


Esse olho que mergulha profundamente nas águas revoltas desse mar sem fim. Beijam as ondas sem cessar esse olhar vago que se entrega sem paz à escuridão de um oceano em tempestade. Esse olhar solar é hoje lamúria e solidão, vazio e sofreguidão. E lança-se ao mar, a se afogar em desilusões. Esse olhar prepara-se para aportar sobre os grãos de areia de uma ilha vazia para que ninguém o resgate. Na carne molhada, como fotografia fosse, o registro de desejo e de dor. Esse olhar parte triste ao infinito, embora não se perceba, crê no futuro, suporta a esperança.