É o que é, nesse ínfimo pedaço de matéria que insiste em pensar, no imediato de uma palavra, no exato momento desse olhar distante, na mira de quem passa pela calçada e a percebe refletir na vidraça sua face plácida, enquanto sacoleja no veículo.
Se a vida é lembrança e suposição, tudo se concentra nesta fração do tempo e do espaço, nesta hora que combinou de chegar a mulher sorridente que é toda introspecção.
Assim como toda a gente, é memória e prognóstico (quase premonição!), cristalizados em seu próprio corpo, naquilo que de concreto reunimos em nós. Pedaço de carne, pedaço de gente, pedaço despedaçado que se refaz o tempo todo.
Se a matéria precede a ideia, e se essa e aquela se transformam, só pode ser a vida esse aqui e esse agora, repleto de expectativas e de reminiscências. A vida passa triste enquanto a mulher espera por um acontecimento que marque a passagem dela pelo mundo. Mas, sorri, embora absorta, quando se dá conta que as coisas se confortam dentro de si no cotidiano, nesse trajeto descomprometido que faz para chegar naquele lugar que ainda desconhece.
Em acasos, nos ocasos, na passagem do dia, em breves diálogo é que aquela mulher descobre que a vida se descortina, se concentra e se esvai. A mulher fecha os olhos e ri, ela sabe como chegar e não precisa mais se preocupar com isso.