8 de setembro de 2015
as mães estão sozinhas e choram sentadas no meio-fio. as filhas não sabem e os pais dão risadas nas quermesses em sábados ensolarados. as mães estão sozinhas: nas mãos apenas as próprias mãos. à mãe, o trabalho, a solidão e a margem. ninguém se erguerá por ela, nem mesmo a própria mãe. as mães estão sozinhas enquanto choram as crianças mortas, enquanto as vivas morrem de fome. as mães deixam de ser o que são e preparam as filhas para deixarem se ser quem sonham. os pais gargalham pelas madrugadas a esmo, fecundam outros úteros, consomem a terra, não amam as crianças, não amam as mulheres. as mães estão sozinhas, ninguém ora por elas e não há misericórdia. as mães não tem rosto, não falam, se multiplicam na multidão.