Há pelo menos uma semana criei este blog. E a cada pedido de informação que ele solicitava, fosse descrição de sujeito ou mesmo endereço de acesso, entrava em cena a dúvida. Penso que ando meio temerosa das palavras, às vezes me preocupo se não parecerão clichês, outras se não desmentirão este tipo meio bobo que costumamos criar para nos protegermos do mundo.
Desde criança gosto muito de escrever. Por curiosidade e teimosia aprendi a ler em casa, ora com a ajuda da mãe professora, ora com a solitária persistência daquela menina metida, obstinada a decifrar os segredos dos diários das irmãs mais velhas. Depois disso a coleção de questionários, de cartas inconfidenciais e diários seletos nunca mais pararam de procurar esconderijos herméticos.
Talvez tenha sido por isso que escolhi o Jornalismo. Parte pela curiosidade, parte pelo encantamento que tinha na infância por escrever. Ajudaram as boas notas em redação e em língua portuguesa, além da caligrafia, que modéstia a parte, é impecável. Em tempos de Internet, poucos românticos ainda se interessam por ela. É fora de moda, mas adoro cartas escritas ao próprio punho.
O certo é que, voltando ao que refletia a poucos centímentros acima, neste texto de pequena pretensão, sinto uma certa retração ao escrever. Fui estimulada por uma amiga, que contava suas memórias, sobre o quão bom era escrever freneticamente, em tempos que sua profissão lhe permitia com mais preciosismos - ela ainda é Jornalista.
De qualquer forma, surpreendo-me com um fantasma de antigas crises criativas, onde pensava não mais saber escrever, um passado deveras remoto, mas insistente. No entanto, as angústias e os fios da nova idade - que ainda é bem pouca - tem me segurado os dedos na hora de redigir. Quem sabe uma certa preocupação com a crítica. Talvez ainda um pavoroso desespero ao reler meus textos e cair na malha-fina da auto-crítica.
Para não perder a mão, escrevo aqui coisas que digo, que leio, que vejo, que se noticiam por aí, a preço de banana. Para não perder o pensamento, rabisco os vultos da memória, das idéias, que outrora fixavam-se em cadernetas de primário e agendas emotivo-literárias, cheias de papéis de bala e números de telefone do colegial. Para não perder a rede, me comunico como se hoje fosse ontem, e amanhã um dia solar esquecido entre as teias tecidas pelo tempo. Para não perder o sonho, fico por aqui com letras pequenas, palavras simples e uma ingênua vontade de escrever como os velhos poetas, vívidos, por suas grandes idéias e intensas reminiscências.