o tempo da poesia acabou
e que em paz se vá
porque tudo que passa
é semeadouro de dias claros
o tempo em que poesia é bruma
se foi
com seu olhar tácito,
sua boca efêmera
foi-se como num canto,
numa lua cor de brisa
e o tempo se fez cálido
de alma seleta e silenciosa
e aquele que pulsava por ela
adormece
e o tempo se faz novo
entoando um cântico púrpuro
seca o sangue, sangra o gelo
ouve a cor
dorme o zelo
e renasce pura
para habitar este novo coração