21 de julho de 2013

Todo acabado

rendo-me às palavras de terceiro,

TODO ACABADO

todo torto todo ruim todo estragado
             mas vou pela calçada sob o vento
ombros para trás cabelos levantados
             lançando olhares como se fossem fogos
o mundo é meu — e meus passos de ouro
             arrebentam as pedras do luar
camisa solta peito empinado sou um ás
             minha mãe me despacha ao telefone
meu pai me despreza ao me olhar
             e mesmo assim vou cavalgando
todo ruim todo torto todo a berrar
             imensos uivos sob lágrimas e solfejos
que distribuo — pois sou um rei
            meio de lado meio mancando
acreditando que o que foi não foi
            e o que vem sou eu e será meu
mas sei que bem no fundo bem no íntimo
            bem no meio deste meu caminho vazio
depois das mulheres que amei e que esqueci
            do filho que gerei e que não vi
do meu gesto louco balançando em falso
            sou eu este seu filho pobre e ruim
seu filho todo fraco todo ruim todo acabado

Poema de Mauro Faccioni Filho.