TODO ACABADO
todo torto todo ruim todo estragado
mas vou pela calçada sob o vento
ombros para trás cabelos levantados
lançando olhares como se fossem fogos
o mundo é meu — e meus passos de ouro
arrebentam as pedras do luar
camisa solta peito empinado sou um ás
minha mãe me despacha ao telefone
meu pai me despreza ao me olhar
e mesmo assim vou cavalgando
todo ruim todo torto todo a berrar
imensos uivos sob lágrimas e solfejos
que distribuo — pois sou um rei
meio de lado meio mancando
acreditando que o que foi não foi
e o que vem sou eu e será meu
mas sei que bem no fundo bem no íntimo
bem no meio deste meu caminho vazio
depois das mulheres que amei e que esqueci
do filho que gerei e que não vi
do meu gesto louco balançando em falso
sou eu este seu filho pobre e ruim
seu filho todo fraco todo ruim todo acabado
o mundo é meu — e meus passos de ouro
arrebentam as pedras do luar
camisa solta peito empinado sou um ás
minha mãe me despacha ao telefone
meu pai me despreza ao me olhar
e mesmo assim vou cavalgando
todo ruim todo torto todo a berrar
imensos uivos sob lágrimas e solfejos
que distribuo — pois sou um rei
meio de lado meio mancando
acreditando que o que foi não foi
e o que vem sou eu e será meu
mas sei que bem no fundo bem no íntimo
bem no meio deste meu caminho vazio
depois das mulheres que amei e que esqueci
do filho que gerei e que não vi
do meu gesto louco balançando em falso
sou eu este seu filho pobre e ruim
seu filho todo fraco todo ruim todo acabado
Poema de Mauro Faccioni Filho.