20 de julho de 2013
Vou trocar de roupa enquanto troco de ideia. Hoje e agora mesmo. Vou manter coisas de início, mas deixo para trás lembranças que pouco fazem-me sorrir. Deixo no bolso os bons motivos para chorar, a vida é de riso e é de lágrima. Deixo uma carta de amor à vida, uma malcriação em papel de bala para o que sobrou de ilusão. Corro para o vento, para o mar e para o infinito. Não me deslumbro com a luz e não me estremece a escuridão. É no cotidiano invisibilizado que se faz as coisas mais importante da vida. Nas miras, nas setas, em poucos alvos, vou sendo o que é possível, sem deixar de acreditar em sonhos, sem optar por eles em detrimento da realidade. A partir de agora vou trocar a roupa, o número do calçado e a ideia. Quantas vezes preciso for. E assim farei até que chegue próximo a espectro de coisa nenhuma, para desconstruí-lo e seguir caminhando. A vida é a arte de construir e, quando tudo se solidifica, nos resta desarmar o óbvio, autocriticar a crítica e recomeçar. Não me proponho a recomeço que parta de velhos pontos e também senão estiver convencida de fazê-lo. Quando o faço, o faço por inteiro, sem intermédios e sem desejos de ser quem se era. Sempre sou melhor no futuro do presente do que no pretérito mais que perfeito. Essa é a esperança que motiva aceitar um dia de cada vez. Nunca se é mais a mesma, já não será mais uma afirmativa essas palavras que escrevo. A lei da vida é caminho, para frente, com pausas para refletir e reconstituir o trajeto. Sem medo, sem arrependimento.
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