Entre a ilha e o continente, repousa um mar sereno-impiedoso. Sem constrangimento, ele rasga a terra, postando de um lado isolamento e do outro vastidão. É todo dicotomia: introspecção e incandescência. E não se sabe se a ilha é solidão ou fantasia. Nem se o continente é imensidão e realidade.
Entre a ilha e o continente, há um mar que leva e traz incertezas e esperanças. Mar revolto de verdades, em que se misturam sal e sol.
Entre o continente e a ilha, há um corpo que se fixa no que há de vir. A mulher sentada à beira d'água pensa no vai e vem da maré, que baila para beijar delicadamente a areia branca que tem sob os seus pés.
A mulher pensa na ponte que une a ilha ao continente. Se faz dela um elo duradouro entre o póstumo insular e preâmbulo continental. Pensa também, a mulher, em mergulhar a ponte nas profundezas desse oceano, para que ilha e continente não mais possam se encontrar.
O que quer, então, aquela mulher à beira d'água, para além do futuro que deseja adivinhar?
