22 de janeiro de 2014

Todo apego

Sinto saudades do que virá
desse homem imaginário
dessa mulher que quero amar
do invisível
do infinito
que é ter-te sem te materializar

Neste instante
cavalgas em algum lugar
errante agora
do amanhã nem saberás
te quero tanto
e ainda sou toda a duvidar

O meu tempo é te olhar
pela janela
pela fresta
nunca inteiro
nem sei teu cheiro
passo os dias a te esperar

Deves ter em algum lugar
uma fotografia minha
que ainda vais tirar
ou pedaço meu
que ainda não conheço
nessa dor, amor, não temas acreditar

De ti
a palavra é muda
a imagem é fosca
num retrato 3x4
te quero todo
carne e osso
és corpo e alma no abstrato

Se tens voz ou rosto
pouco sei
de ti eu tenho
canto, pranto
sem som
sem rosto

Te espero
na esquina, no espaço
toda a sorrir
porque sei que vens
nem sei de onde
nem mesmo penso

Me refletes no espelho
em tua boca e em tuas mãos
e guardo em mim
teu lume
teu gosto
e tua cor

Te fantasio risada branda
calmaria que me espanta
e tudo em mim é noite soturna
me interesso pelo teu desejo
tenho vício e todo apego
nessa coisa que és e ainda não conheço