Quando tu chegares, verás que pensei em tudo. Repassei as lamúrias e elas já não serão frases prontas, em cabeçalhos de prontuário. Prometo que não haverão apelos tresloucados e, se um houver, será a distância e no tom aveludado de jornalista de TV.
Assim que chegares, verás que selecionei, nas praças e nos becos, as melhores desculpas esfarrapadas. Com pormenores exigentes e propostas injustificáveis. E quando te sentires só, vais ter de mim, por certo, uma risada e bastante zelo.
Logo que chegares, verás que preparei uma surpresa. Não te esquecerás do sabor saudoso das bananas infestadas de tempero. Do café, te lembrarás que não sabes o gosto e o cheiro. Culpa dessa mania de mensurar o pó conforme a cor do dia.
Enfim, quando chegares, verás que premeditei tudo: contentamento póstumo, amor incondicional ao próximo. E, se triste, transcenderes à mera fatalidade, verás também que preparei pra nós uma bela viagem, sem adeus e sem pressa da volta, para que reine a complacência com as vicissitudes e a amnésia nos momentos de banalidade.
Se notares, verás que ruminei todos os meus pesares. Tateei minha inconstância e essa enorme animosidade, pra decidir que, quando tu chegares, não me levas jamais de mim.