Esse texto é sobre o uso da informação de forma equivocada, utilizando dados que não dizem nada, a não ser, do seu objetivo de criar uma ideia sobre a realidade.
Manuela é uma mulher por volta dos 30 anos, fase da vida em que começamos a nos consolidar na vida adulta e profissional. Período em que fazemos a transição do estágio remunerado para o emprego formal. Nessa mesma fase, começamos a organizar melhor nossa vida financeira, planejar metas para o futuro. Compramos um primeiro imóvel, guardamos dinheiro para uma viagem. Dessa forma, natural que se acumule alguma coisa e que o patrimônio aumente. Manuela tem uma atividade formal, ela é deputada federal, com salário e benefícios.
Diz a nota que a referida deputada, passou de um patrimônio de R$14 mil para R$ 180 mil. Fiquei imaginando se Manuela tinha um carro usado e agora tem um apartamento de dois quartos, sem sacada, atrás da Ivo Silveira.
O texto do colunista deixa lacunas para o leitor atento. Então, fui vasculhar as declarações de patrimônio da deputada pela internet. Sim, todo esse pedaço da vida, ela é obrigada a compartilhar conosco. Manuela tem um terreno, ou coisa parecida que se intitula "fração ideal", e um dinheiro na poupança. Eu tenho também uma poupança. Meu pai abriu quando eu nasci. Volta e meia, fica vazia. Também podemos considerar a hipótese de Manuela ter ganhado uma herança, ou algo do gênero, para justificar os valores que tem na conta. Como quem está esperando aquele dinheiro do Plano Verão, que a avó, já falecida, teria direito.
Penso que o colunista consegue criar um sinônimo para o verbo enriquecer. E se enriquecer for o que ele nos sugere, só podemos concluir que, a exemplo de Manuela, existem muitas mulheres de 30 anos, assim como eu, ficando ricas por aí.