5 de julho de 2014

Olhar turquesa

Nascera menina pequena. Prematura de sete. A avó não tinha fé que vingasse. Por meses, morou numa nuvem macia, igual aquela que desejo pra mim depois da eternidade. Cresceu o suficiente pra perder o fôlego em toda manhã fria. Chorou de preto até ficar moça e, quando ficou, pouco restou.

Era guria adorável, menina prendada de olhar turquesa. Carregou tristeza e fingiu alegria. Dizia pouco, mas mesmo quem cala, uma hora põe-se a berrar. Aí, não tem santo que dê jeito.

Já a vida, sempre dá um jeito de se reinventar. E sem precisar dizer eu te amo. No silêncio há, sim, muitas formas de amar. Se me conta um segredo, é só pra lembrar do que nunca me esqueço. É uma mulher que ama, eu sei. Embora em silêncio, ninguém precisa saber das coisas que dizem o coração.