O menino empina a pipa lá na rua. Da janela, vejo o fio da pipa que carrega o menino até o céu. No fio do poste, outros tantos fios coloridos são testemunhas da odisseia do menino que voa longe e toca a imensidão azul.
Mas, aí, o vento vira. E os fios da pipa, agora, vivem emaranhados nos fios do poste. Cada um, a seu jeito, são fios que ligam a gente. Desbotadas pela luz do sol e pelo barulho da chuva, a corda da pipa é a mesma corda do poste. São fios que conectam o menino e o que ainda virá. Emaçarocados - os fios, o menino e a vida - são apenas fiapos de luz.
O vento e a fita colorida ligam o menino ao mundo lá fora. O fio enrolado no fio encerra a brincadeira do menino. Não corre pra dentro não, menino! Fica na rua. O fio da pipa tem mais sinergia que o fio do poste.
Da janela, observo o menino. Brinco com ele.