14 de outubro de 2015


a minha janela já não me diz nada do mundo lá fora, me acostumei com o que ela tem a dizer. não diz de mim, nem dos outros. olho insistentemente para o mundo lá fora, as casas enfileiradas, os triplex sem revestimentos, o chão batido; tudo é corriqueiro. ouço gritos, crianças choram, outras riem em alto; não me enternecem mais. as sirenes, os helicópteros; o ouvido acostumado, o olhar apaziguado. olho pela janela, meus olhos estão úmidos, as paredes também. as figuras que caminham lá fora não me parecem diferentes de mim - só são mais livres -, varrem quintais e calçadas, sitiadas pelos condomínios que nada tem de luxo. pela janela, os carros para quitar, as construções ilegais: quanto tempo sobreviverão? a vida que se completa no churrasco do domingo.

conectadas, as janelas me oferecem um mundo que não é meu.