o vento sacode o portão estilhaçado. a grama pisoteia sobre si mesma, enquanto no varal há lençóis encardidos pelo barro de finas mãos. a porta entrecortada deixa ver as transparências; o invisível a olho nu. na cozinha, uma lâmina faz brilhar o amarelo dos dentes; o fio vermelho entre o lábio e a língua. a sombra do fim da tarde umedece a grama que se esmaga no jardim. no quarto escuro, o fio luminoso da tarde recorta a silhueta na escuridão.