19 de outubro de 2015
a mulher tem um pouco de cada curva. tem um pouco de cada esquina e uma pouco daquele cheiro de cigarro das noites de dez anos atrás. ela tem um pouco de sim, até quando não. a mulher encurva-se conforme as curvas do corpo, conforme as da estrada; é um pouco duma, um pouco doutra. ela tem um pouco de si, até quando se abandona à margem do caminho. a mulher nunca se curva: o corpo é reto, a memória é intacta. um pouco de cinzeiro, um pouco de isqueiro. lâmpada e sepultura. um pouco riso; outro pouco despedida. a mulher tem um pouco de cada curva.