Diz que árvore velha não dá furto puro
mas, é o que se adapta que sobrevive
para existir na ingênua ideia de que é peculiar
não viveu o limiar da morte,
mas inala dor a contagotas
e, de novo, sobrevive, sofrível
não anda só, porque aprendeu consigo mesmo
nem teme a palavra que, por si próprio, conheceu
é com candura demais que menos se encontra o afeto
e, desgraçadamente, é vida que se esvai
a profundidade do amor cega
e tateando pedaços é que se cruza com a dor
que só se completa com a consciência
enfim o surto, momento oportuno para a lucidez
caminhar lento, olhar baixo
passos curtos
e tudo parece belo, mesmo que, de novo, seja sofrível
e se vê então beleza na escuridão
lança-se ao vento que sussura baixo
e cala a solidão, embora cativo esteja em névoa
o olhar perdido e louco
que vê na noite
o subterrâneo que liberta e oprime
cadencia e endurece
num inverno longo, frio, vazio
devagar, reconhece o início
ri de uma metade, estilhaça uma outra metade
vai surgindo ao longe um fim que tampouco é agora
e tudo se divide em antes e a partir daqui