14 de janeiro de 2013

Corações e mentes

Para enfrentar as agruras sociais da contemporaneidade é preciso complacência.  Na opinião de quem escreve, é necessário equacionar a luta pela libertação dos povos - que não envelhece - com as novas atitudes, as novas práticas, as novas táticas.

É preciso que haja capacidade de encontrar, seja na psicologia ou na poesia, melhores formas e palavras de constituir a luta de ideias, a disputa da opinião, a construção do simbólico e do representativo. Portanto, para um mundo contemporâneo, táticas contemporâneas, que entendam e atendam a essa nova geração que não foi a guerra. Sem desprezar àquela que foi e também sem se pressupor que a atual não iria se fosse chamada.

Tática mais avançada requer entender, por exemplo, que a indústria cultural toma conta das novas cabeças, com gosto e cheiro revolucionário, insurgente e contestador. Não importa do que. Entender pessoas é compreender como comportam-se os mecanismos de construção da identidade, com recíproca verdadeira. E é por isso que precisamos ser mais complacentes com as pessoas, e menos, bem menos, com esses mecanismos.

É premente que tenhamos um coração menos duro para com os nossos e cada vez mais implacável para com esse mundo que só aprimorou suas armas de manipulação, coerção e repressão. Ele faz isso com verbos bem mais amenos. E nosso verbo precisa também positivar-se.

Táticas apropriadas são ajustes à estratégia imutável, inabalável, que quer acabar de vez por todas com um sistema que oprime fazendo parecer que liberta. Nos livros, nos filmes, nos cafezinhos em bistrôs é que o pós-moderno, essa coisa nova, complacente e sedutora tenta colocar os ideais de mudança no calabouço das ditaduras.