a poesia que há em mim
é daquela pequena
que só consegue ver em si
a si mesmo
perversa porque
carrega consigo
a falsa imensidão
enquanto o é ilusão monossilábica
é aquela sem mácula
sem dor ou contratempo
que a valha
é perversa posto que é santa
e o santo
traz consigo a fortuna
de parecer perfeito
assaltando o incrédulo
assombrando o fraco
estancando o impulso
a poesia que encerra em mim
é de rabisco leve
sem predicado importante
desenhado em bruma
é perversa porque engana
e, em profundo, é prosa que se esvai
sem tom, sem som
sem métrica ou rima