Um olho ri quando pisca, assim, de canto, enquanto o outro, arregalado, corre sozinho para todos os lados, se certificando de que não deixaram nada pra trás.
O olho sorridente nem quer saber. Olha pra frente. Nesse caso, a pestanejar. O arregalado, embora nunca pestaneje, sempre tenta segurar na retina o que a memória, mancomunada com o olhar sorridente, já meteu na penumbra.
Um olho sorri, enquanto o outro se arregala. Dois olhos que nunca concordam com o que estão a enxergar. - Será mesmo que a gente vê igual aquela coisa ali na nossa frente?
Um arregalou certeza e pediu socorro. O outro deu gargalhada incerta. Seguem estampando a mesma cara.