6 de abril de 2015

as paredes estão pichadas à saliva, palavras estanques
as paredes estão repletas de verbetes emudecidos nas lascas de tinta do tempo 
as paredes estão cheias de ais, gemidos que se incrustam nos rodapés 
as paredes estão cheias de diálogos solitários, de conversas ao pé do ouvido
as paredes estão repletas de repetições ensurdecidas nas camadas do tempo
as paredes estão pichadas à saliva e vertem palavras