20 de abril de 2015

Massacre

o barulho entrou armado. disparou contra o silêncio da sala. brincou de tiro ao alvo com as coisas que não estavam ali, sobre a mesa. no corredor, um tiro certeiro na lâmpada há tempos apagada. o barulho disparou contra o silêncio do quarto vazio que, sangrando, gemeu sem voz como nos sonhos. no rangir da máquina de lavar, o barulho lavou as roupas transparentes que vestiam o silêncio, agora nu, sobre a cama. satisfeito e solitário, o barulho saca o isqueiro e acende um cigarro.