26 de abril de 2015

O teto

a casa, senão a casa. as coisas espalhadas em pequenos pedaços, em retalhos que formam ela própria. se não a casa, o apartamento sufoca. as coisas e os livros que não dizem nada. pela casa, a trilha sonora dos pratos, das taças vazias. os casacos velhos e os velhos sapatos. a porta sem tramela, a janela sem veneziana, as lâmpadas brancas e frias. a casa; em que lugar mais podem estar as velhas cartas, os velhos bilhetes, os próximos dias? a casa, somente ela, nos abriga das margens, das linhas turvas da rua que ficaram para fora, sobre o tapete empoeirado do corredor.