3 de abril de 2015

Quando eu morrer

Quando eu morrer, quero que todos chorem e ouçam fado. Quero que escureçam a sala e dancem passos a esmo. Quero que fumem cigarros e bebam café. Quando eu morrer, quero que todos riam de desespero, de dor curada na pior das bebedeiras. E antes da ressaca, madrugada que já sou morta, quero que todos balburdiem sobre o meu caixão para que não fique eu fadada ao silêncio eterno. Quando eu morrer, quero que todos riam e ouçam jazz. Quero que abram as cortinas e dancem sincronizados. Quero que fumem charutos e bebam vinho. Quando eu morrer, quero que todos chorem de alívio, de contentamento regado às melhores bebedeiras. E antes da ressaca, amanhecer que já sou morta, quero que todos durmam sobre o meu caixão para que não fique eu fadada a memória eterna.

Quando eu morrer.